PROJETO SOCIAL

Projeto Escola TVMorrinho
TVM



1- O que é o Morrinho

O Morrinho é uma maquete de 120 m2 localizada dentro da comunidade Vila Pereira da Silva no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, mais conhecida como favela do Pereirão. O Morrinho foi imaginado como um brinquedo pelos garotos desta comunidade que imitaram em miniatura o universo que os circundava. Totalmente construída com restos de tijolos e outros materiais reciclados, a maquete reproduz em forma e conteúdo uma favela de verdade; verticalização, contenção de encostas, acessos estreitos assim como biroscas, quadras, bocas de fumo e batalhões de polícia fazem parte deste conjunto impressionante. À parte a riqueza de detalhes que por si só já a caracterizariam como um espaço construtivo orgânico (tal qual são as verdadeiras favelas), ela ainda é "habitada" por centenas de bonecos feitos de blocos de LEGO que "vivem" um cotidiano próprio, determinado por um jogo criado pelos garotos. Se a maquete reproduz a ocupação de um espaço, o jogo simula o dia-a-dia da vida nas favelas cariocas, onde não faltam injustiças, balas perdidas e revolta social. Tal obra, que de maneira inusitada ainda ocupa de forma lúdica um espaço que de outra forma seria objeto de disputa por moradia, acabou por chamar a atenção de artistas, críticos e curadores e hoje pode de certa forma ser considerada uma instalação "espontânea" num sítio certamente muito específico.


2 - Como surgiu e o que é a Tv Morrinho?

Em 2001, durante as gravações de um documentário sobre a maquete, uma câmera digital foi emprestada aos garotos. A razão do empréstimo se deveu ao fato de que durante o jogo vários meninos se amontoavam sobre o cenário, tornando difícil a captação das imagens que em última instância também atrapalhava a brincadeira. De posse da câmera os garotos se soltaram e os bonecos (cujos personagens que representam são interpretados pelos próprios garotos) por sua vez passaram a interagir com a nova situação, imediatamente incorporando o cinegrafista ao enredo do jogo. Surgia assim a Tv Morrinho, de dentro da maquete. O sucesso dessa experiência inaugurou uma parceria entre os garotos do morro e a equipe do asfalto. Os garotos começaram a ser treinados no manuseio daquela nova tecnologia e a tomar contato com os meios de produção de um audiovisual. Surgiu a idéia da criação de um programa de capacitação profissional que os integrasse à sociedade produtiva. Por sua vez a equipe do documentário passou a freqüentar cada vez mais a comunidade e decidiu voltar o foco do filme, além da maquete, para os resultados obtidos dessa convivência onde tanto eles quanto os garotos, passam a ser co-autores de uma história que irá se desenvolver durante os dois anos seguintes.


3- O que é o Projeto Escola Tv Morrinho?

A TVM sempre existiu por força da vontade de seus integrantes. As dificuldades inerentes da falta de apoio transformaram todas as suas produções em aventuras que apesar de certamente valerem a pena serem vivenciadas limitou muito as possibilidade embutidas na idéia que a criou. O projeto escola TVM pretende através da disponibilização de recursos e equipamentos regularizar suas atividades de forma a atender um número maior de jovens de maneira mais efetiva. Uma das conclusões mais valiosas adquiridas em dois anos de trabalho é a convicção de que da troca de experiências surge uma matriz criativa que pode se manifestar pela limitação do olhar através de uma lente que amplia a visão do mundo.


4- O que quer o Projeto Escola TVM?

O projeto TVM objetiva investir na capacitação profissional de 30 jovens residentes no Morro do Pereirão e arredores, para a produção e realização de audiovisuais, aperfeiçoando o que já é realizado. A TVM já possui mais de 40 horas de material captado pelo grupo de meninos que constituem o seu núcleo básico. Já foi chamada a trabalhar por instituições que realizam projetos sociais, como no caso do registro da parceria entre a Casa França-Brasil e a Fundação São Martinho para formação de monitores dos museus do estado. A Maquete, que para o núcleo básico representa a porta de entrada no universo do audiovisual, foi recriada no Centro cultural do Parque da Ruínas em Santa Tereza e está em exposição ao público, com o apoio da Prefeitura do Rio.

Em 12 meses a TVM irá oferecer 576 horas de formação estruturadas em dois núcleos: básico e específico. Abrangendo desde conteúdos fundamentais para a entrada no mercado de trabalho até os necessários ao exercício da cidadania plena. Os produtos desta fase são a estruturação da TVM e 60 minutos de programas de vídeo retratando o olhar da juventude favelada sobre a sua realidade, perfazendo 6 programas de 10 minutos cada, organizados em dois blocos de 30 minutos. Através da realização do projeto TVM seu apoiador estará investindo diretamente na comunidade Vila Pereira da Silva R$135.880,00, que representam 40,32% do orçamento total. R$ 78.000,00, 23,14%, serão aplicados na realização de produtos de qualidade a custos inferiores aos de mercado. Isto justifica a aquisição de equipamentos, que serão incorporados ao acervo da TVM findo o projeto, e garantem a total possibilidade de manuseio aos jovens em formação. O orçamento completa-se com o custo da estrutura de formação dos jovens que representa 36,54% do projeto, perfazendo um valor total de R$ 337.042,00.


5- Por que investir no Projeto Escola TVM?

A TVM nasceu dentro da maquete do Morrinho e por ser besta um simulacro da realidade, à ela sempre pode se referir quando estiver comentando esta mesma realidade. Essa maquete, fruto da imaginação de garotos oriundos de uma comunidade carente é hoje objeto da curiosidade de um grande público assim como do interesse de várias instituições que desejam exibir sua documentação em salas de exposição. A TVM é a força agregadora que manteve um grupo unido, atraiu outras pessoas de diferentes níveis de renda e valorizou e trouxe auto estima a todo o conjunto de uma comunidade e além disso tudo gerou seguramente mais de R$ 1.000.000,00 em mídia espontânea em apenas dois anos de atividades.


6- Qual a importância do Projeto Escola TVM?

A inserção de população de baixa renda no mercado de trabalho é um dos principais desafios brasileiros hoje. Programas de capacitação profissional esbarram em duas dificuldades fundamentais: a necessidade de oferecer, em curto espaço de tempo, conteúdos suficientes para a superação de anos de má formação escolar e a identificação de nichos de mercado realmente capazes de ofertar colocação profissional. Neste sentido, projetos que resgatam aspectos inerentes à dinâmica comunitária, a cultura local, e ofertam capacitação técnica de excelência com o objetivo de qualificar o já feito, o já conhecido, alçando-o a categoria de produto comercial vêm encontrando espaço e garantindo o aumento da renda familiar de populações pobres. O sucesso de programas como o Afroreggae, no Rio de Janeiro, Olodum e Timbalada, na Bahia são exemplos disso.

Experiências bem sucedidas de inserção profissional na área de cultura, voltadas para população de baixa renda, carregam no seu bojo outros efeitos que não apenas aqueles diretamente relacionados a geração de renda. Funcionam também como preciosos instrumentos de valorização social para uma população que comumente é lembrada pela sociedade pela freqüência com que visita as páginas policiais dos jornais. Além disso, freqüentemente oferecem formações profissionais que encontram lugar fora do objetivo principal. Este é o caso da TVM que valorizará cursos como eletricista, maquiador e cabeleireiro.

A TVM é uma iniciativa de sucesso que já acumula resultados. A satisfação dos profissionais que empiricamente foram capacitando um grupo de jovens na realização de audiovisuais e inserindo-os profissionalmente nas suas próprias realizações, ou naquelas onde possuíssem contatos, encontrou limites quando eles foram confrontados com dificuldades, tais como: conciliar formação em serviço a produções comerciais realizadas em um ritmo frenético; justificar a descontinuidade de oferta profissional típica da prestação de serviço, que exige planejamento do orçamento doméstico; dificuldades relativas ao relacionamento com clientes e, por fim, àquelas relacionadas há impossibilidade de atender a um público maior, se mantido o amadorismo. Assim surge, em parceria com a Associação Projeto Roda Viva, uma organização não governamental com 15 anos de experiência na área de atenção a crianças e jovens, o projeto de uma TV Escola.


7- Quais os objetivos do Projeto escola TVM?

:: Geral
Contribuir para a redução da desigualdade social na cidade do Rio de Janeiro oferecendo alternativa profissional e ampliação do leque de oportunidades culturais a jovens em situação de risco.

:: Específicos
1. Realizar curso de capacitação profissional na área de audiovisual para 30 jovens em situação de risco;
2. Formalizar a TV Morrinho e preparar 10 jovens para a sua gestão;
3. Contribuir para a popularização do Morrinho (a maquete), inserindo a comunidade do Pereirão no circuito de turismo em favelas já existente na Cidade.

8- Qual o público alvo?

:: Direto
1. 30 jovens, de ambos os sexos, com idades variando entre 16 e 25 anos residentes na comunidade do Pereirão e adjacências.

:: Indireto
1. 2000 moradores da comunidade do Pereirão;
2. Ongs e outros projetos sociais.


9- Quais as metas?

:: Formar 30 jovens para o mercado audiovisual;
:: Oferecer 576 horas de capacitação profissional;
:: Oferecer 1200 horas de estágio para os alunos (40h por aluno) na ilha de edição da TVM supervisionadas por profissionais experientes;
:: Oferecer 400 horas de estágio em produções comerciais em realização na cidade do Rio de Janeiro;
:: Oferecer 144 horas de estágio, por aluno, em campo, para a realização de filmagens;
:: Preparar 10 jovens para a gestão da TVM;
:: Produzir 60 minutos de programas de vídeo editados;
:: Veicular gratuitamente dos programas em TV comercial;
:: Implantar a TVM, uma TV comunitária que se caracteriza por oferecer uma ampla leitura do universo das favelas cariocas através da lente de seus jovens e não por ser um veículo de oferta de serviços para populações de baixa renda;
:: Realizar pelo menos 1 documentário encomendado por um cliente durante o período de implantação;
:: Divulgar a experiência e a qualificação dos profissionais formados para as produtoras de audiovisual atuantes na Cidade do Rio de Janeiro;
:: Promover e organizar visitas guiadas a comunidade do Pereirão e ao Morrinho;
:: Realizar 2 campanhas de mobilização comunitária envolvendo pelo menos 50 moradores;
:: Realizar 1 festa de divulgação dos produtos do projeto na Comunidade do Pereirão, reunindo 500 pessoas, com a presença de artistas de destaque na cena carioca;
:: Estimular mídia espontânea para a TVM.


Descrição sucinta das atividades

Serão 4 encontros semanais com 3 horas de duração no contra turno a escola formal, perfazendo um total de 576 horas de capacitação para uma turma de 30 jovens. Serão ministrados conteúdos relacionados a dois conjuntos básicos: 1- cidadania e gestão de pequenos negócios; 2 - produção de audiovisual, envolvendo fotografia, cenografia/arte, roteiro, edição, direção, elétrica e maquiagem/cabeleireiro.

Os conteúdos subdividem-se em dois núcleos: básico e específico seguindo o quadro abaixo:

Núcleo Básico e carga horária Núcleo Específico e carga horária
Cidadania - 144 horas aula Maquiagem/cabeleireiro - 36 horas aula
Gestão de Pequenos Negócios - 72 horas aula Elétrica - 36 horas aula
Introdução ao roteiro - 20 horas aula Roteiro I - 52 horas aula
Introdução à fotografia - 40 horas aula Fotografia I - 200 horas aula
Introdução à cenografia - 40 horas aula Cenografia I - 200 horas aula
Introdução à direção - 40 horas aula Direção I - 200 horas aula
Introdução a técnicas de sonorização - 4 diárias (32 horas) Sonorização I - 20 diárias (160 horas)


O grupo de 30 jovens será trabalhado como uma única turma no módulo básico, subdividindo-se apenas nas aulas de campo, estratégia fundamental para ampliação do universo cultural e incorporação de novos padrões estéticos, devido a questões de logística. Já no módulo específico a turma de 30 se subdividirá em duas ou três turmas reunindo grupos de interesse, afinidade e competência. Semanalmente, no dia em que não haverá encontro com os alunos a equipe de coordenação se reunirá para atividades de planejamento e avaliação. Mensalmente a reunião incorporará os instrutores dos módulos em realização no período.

Serão realizadas 3 saídas a campo para filmagem para cada seqüência de 10 minutos. Cada saída reunirá 10 alunos visando oportunizar a todos esta experiência. Todo o grupo cumprirá estágio supervisionado na própria TVM e em produções comerciais em realização na cidade.

Cinco alunos serão conduzidos a condição de monitores do conjunto a partir do terceiro mês de atividades. É expectativa dos proponentes do projeto que o grupo base responsável por todas as etapas da TVM até então assuma esta posição. Entretanto, todos estarão sendo avaliados nos dois meses iniciais.

As demais atividades do projeto estão distribuídas em três grupos: 1-acesso a estágio e outras possibilidades de inserção profissional; 2- mobilização/valorização comunitária; 3 - divulgação da experiência, busca de clientes e veiculação dos produtos. O grupo de atividades 1 é responsabilidade da equipe de coordenação do projeto e o grupo 2 estará sob a responsabilidade do grupo de alunos, assessorado diretamente pela coordenação. O terceiro grupo é responsabilidade do produtor contratado, auxiliado pela equipe de coordenação. Não obstante, um projeto que objetiva a capacitação profissional para gerenciamento de um pequeno negócio exige a participação dos alunos em todas as suas etapas.

Será ofertada bolsa auxílio ao conjunto de estudantes e bolsa monitoria a 5 jovens que se destaquem. A bolsa justifica-se pela baixa renda dos cursistas e idade onde a participação na renda familiar é não só necessária como fundamental para a manutenção destas.


Composição da Equipe Permanente

Supervisor geral - Maria do Amparo Monteiro Seibel - Assistente social, Coordenadora da Área de desenvolvimento comunitário da Roda Viva.
Coordenador técnico - Fábio Ferreira Gavião - diretor e editor de comerciais e clipes.
Coordenador social - Marcílio de Lima Braz - desenhista industrial, designer, educador da Roda Viva.
Produtor - Adriana Vieira - produtora cultural e uma das fundadoras da ONG Dreams Can Be no Brasil.
Técnico da Ilha de edição - profissional com experiência no funcionamento/supervisão de uma ilha de edição, a ser contratado.


Profissionais do meio já associados a TVM

Francisco Franca - produtor cultural e artista plástico.
Marcão Oliveira - diretor e fotógrafo de documentários e clipes.
Cláudio Fernandes - designer, diretor de arte e cenógrafo.